NA ATIVIDADE DE HOJE, FAREMOS UMA VIAGEM NA HISTÓRIA, ACOMPANHADOS DE GALILEU GALILEI E DE EDGAR MORIN. NO PRIMEIRO FRAGMENTO, VOCÊ LERÁ PARTE DA PEÇA TEATRAL DE BERTOLD BRETCH, QUE APRESENTA UM DIÁLOGO RIQUÍSSIMO ENTRE O CIENTISTA E SEU APRENDIZ ANDREA.
NO SEGUNDO EXCERTO, VOCÊ CONHECERÁ PARTE DO PENSAMENTO DO FILÓSOFO EDGAR MORIN QUANTO ÀS INCERTEZAS HISTÓRICAS QUE O FUTURO NOS RESERVA.
APÓS AS LEITURAS, DISCUTA COM SEUS COLEGAS SOBRE O IMPACTO QUE OS FATOS HISTÓRICOS CAUSAM EM NOSSAS VIDAS. INCLUA EM SEU DEBATE TUDO QUE VOCÊ PENSOU OU SENTIU AO SE DAR CONTA DE QUE O FUTURO É "COMPLETAMENTE" IMPREVISÍVEL E INCONTROLÁVEL.
TUDO SE MOVE, MEU AMIGO
[...] Há dois mil anos a humanidade acreditou que o Sol e as estrelas do céu giram em torno dela. O papa, os cardeias, os príncipes, os sábios, capitães, comerciantes, peixeiras e crianças de escola, todos achando que estão imóveis nessa bola de cristal. Mas agora nós vamos sair para fora, Andrea, para uma grande viagem. Porque o tempo antigo acabou, e agora é um tempo novo. Já faz cem anos que a humanidade está esperando alguma coisa.
As cidades são estreitas, e as cabeças também. Superstição e peste. Mas, agora, veja o que se diz: se as coisas são assim, assim não vão ficar. Tudo se move, meu amigo.
Gosto de pensar que tudo tenha começado com os navios. Desde que há memória, eles vinham se arrastando ao longo da costa, mas, de repente, deixaram a costa e exploraram os mares todos.
Em nosso velho continente nascia um boato: existem continentes novos. E agora que os nossos barcos navegam até lá, a risada é geral nos continentes. O que se diz é que o grande mar temido é uma lagoa pequena. E surgiu um grande gosto pela pesquisa de todas as coisas: saber por que cai a pedra se a soltamos, e como sobe a pedra que arremessamos. Não há dias em que não se descubra alguma coisa. Até os velhos e os surdos puxam conversa para saber das últimas novidades.
Já se descobriu muita coisa, mas há mais coisas ainda que poderão ser descobertas. De modo que também as novas gerações têm o que fazer.
Em Siena, quando moço, vi uma discussão de cinco minutos sobre a melhor maneira de mover blocos de granito; em seguida, os pedreiros abandonaram uma técnica milenar e adotaram uma disposição nova e mais inteligente das cordas. Naquele lugar e naquele minuto fiquei sabendo: o tempo antigo passou, e agora é um tempo novo. Logo a humanidade terá a idéia clara de sua casa, do corpo celeste que ela habita. O que está nos livros antigos não lhe basta mais.
Pois onde a fé teve mil anos de assento, sentou-se agora a dúvida. Todo mundo diz: é, está nos livros -, mas agora nós queremos ver com nossos olhos.
As verdades mais consagradas são tratadas sem cerimônia; o que era indubitável, agora é posto em dúvida. Em conseqüência, formou-se um vento que levanta as batinas brocadas dos príncipes e prelados, e põe à mostra pernas gordas e pernas de palito, pernas como as nossas pernas. Mostrou-se que os céus estavam vazios, o que causou uma alegre gargalhada.
Mas as águas da Terra fazem girar as novas rocas, e nos estaleiros, nas casas de cordame e de velame, quinhentas mãos se movem em conjunto, organizadas de maneira nova.
Predigo que a astronomia será comentada nos mercados, ainda em tempos de nossa vida. Mesmo os filhos das peixeiras quererão ir à escola. Pois os habitantes de nossas cidades, sequiosos de tudo que é novo, gostarão de uma astronomia nova, em que também a Terra se mova. O que constava é que as estrelas estão presas a uma esfera de cristal para que não caiam. Agora juntamos coragem, e deixamos que flutuem livremente, desancoradas e elas estão em grande viagem, como as nossas caravelas, desancoradas, e em grande viagem.
E a Terra rola alegremente em volta do Sol, e as mercadoras de peixe, os comerciantes, os príncipes, os cardeais, e mesmo o papa, rolam com ela.
Uma noite bastou para que o universo perdesse o seu ponto central; na manhã seguinte, tinha uma infinidade deles. De modo que agora qualquer um pode ser visto como centro, ou nenhum. Subitamente há muito lugar. Nossos navios viajam longe. As nossas estrelas giram no espaço longínquo, e mesmo no jogo de xadrez, agora a torre atravessa o tabuleiro de lado a lado. Como diz o poeta: “ó manhã dos inícios!...
Fonte: A vida de Galileu – Bertold Brecht
OS SETE SABERES NECESSÁRIOS À EDUCAÇÃO DO FUTURO – EDGAR MORIN
Ainda não incorporamos a mensagem de Eurípedes, que é a de estarmos prontos para o inesperado. O fim do século XX foi propício, entretanto, para compreender a incerteza irremediável da história humana.
Os séculos precedentes sempre acreditaram em um futuro, fosse ele repetitivo ou progressivo. O século XX descobriu a perda do futuro, ou seja, sua imprevisibilidade. Esta tomada de consciência deve ser acompanhada por outra, retroativa e correlativa: a de que a história humana foi e continua a ser uma aventura desconhecida. Grande conquista da inteligência seria poder enfim se libertar da ilusão de prever o destino humano.
O futuro permanece aberto e imprevisível. Com certeza, existem determinantes econômicas, sociológicas e outras ao longo da história, mas estas encontram-se em relação instável e incerta com acidentes e imprevistos numerosos, que fazem bifurcar ou desviar seu curso.
As civilizações tradicionais viviam na certeza de um tempo cíclico, cujo funcionamento devia ser assegurado por sacrifícios às vezes humanos. A civilização moderna viveu com a certeza do progresso histórico. A tomada de consciência da incerteza histórica acontece hoje com a destruição do mito do progresso. O progresso é certamente possível, mas é incerto.
A INCERTEZA HISTÓRICA
Quem teria pensado, na primavera de 1914, que um atentado cometido em Sarajevo desencadearia a guerra mundial que duraria quatro anos e que faria milhões de vítimas?
Quem teria pensado, em 1916, que o exército russo se desagregaria e que um pequeno partido marxista, marginal, provocaria, contrariamente à própria doutrina, a revolução comunista em outubro de 1917?
Quem teria pensado, em 1918, que o tratado de paz assinado trazia em si os germes da Segunda Guerra Mundial, que arrebentaria em 1939?
Quem teria pensado, na prosperidade de 1927, que uma catástrofe econômica, iniciada em 1929, em Wall Street, se abateria sobre o planeta?
Quem teria pensado, em 1930, que Hitler chegaria legalmente ao poder em 1933?
Quem teria pensado, em 1940-41, afora alguns irrealistas, que o formidável domínio nazista sobre a Europa, após os impressionantes progressos da Wehrmacht na URSS até as portas de Leningrado e Moscou, seria acompanhado em 1942 pela reviravolta total da situação?
Quem teria pensado, em 1943, durante plena aliança entre soviéticos e ocidentais, que a guerra fria se manifestaria três anos mais tarde entre estes mesmos aliados?
Quem teria pensado, em 1980, afora alguns iluminados, que o Império Soviético implodiria em 1989?
Quem teria imaginado, em 1989, a Guerra do Golfo e a guerra que esfacelaria a Iugoslávia?
Quem, em janeiro de 1999, teria sonhado com os ataques aéreos sobre a Sérvia, em março de 1999, e no momento em que estas linhas são escritas, pode medir suas consequências?
Ninguém pode responder a estas questões no momento da escrita destas linhas, que , talvez, ficarão ainda sem resposta durante o século XXI. Como dizia Patocka: 'O devenir é doravante problematizado e o será para sempre.' O futuro chama-se incerteza.
UM MUNDO INCERTO
A aventura incerta da humanidade não faz mais do que dar prosseguimento, em sua esfera, à aventura incerta do cosmo, nascida de um acidente impensável para nós, e que continua no devenir de criações e destruições.
Aprendemos, no final do século XX que, à visão do universo obediente a uma ordem impecável, é preciso substituir a visão na qual este universo é o jogo e o risco da dialógica/dialética (relação ao mesmo tempo antagônica, concorrente e complementar) entre a ordem, a desordem e a organização.
A Terra, provavelmente, em sua origem – um monte de detritos cósmicos oriundos de uma explosão solar - , ela própria se auto-organizou na dialógica entre ordem/desordem/organização e sofreu não apenas erupções e terremotos, mas também o choque violento de aerólitos, dos quais um talvez tenha provocado o desprendimento da Lua.
ENFRENTAR AS INCERTEZAS
Nova consciência começa a surgir: o homem, confrontado de todos os lados pelas incertezas, é levado em nova aventura. É preciso aprender a enfrentar a incerteza, já que vivemos em uma época de mudanças em que os valores são ambivalentes, em que tudo é ligado. É por isso que a educação do futuro deve se voltar para as incertezas ligadas ao conhecimento.
11 comentários:
Quando Edgar Morin discorre sobre o medo frequente que temos em relação a tudo que é novo, torna-se inevitável comparar alguns acontecimentos históricos, típicos de momentos de transição e crise paradigmática, ao advento do uso das tecnologias em nosso cotidiano, inclusive como parte fundamental do processo educativo. Dentre os fatos históricos mencionados pelo filósofo, o que mais me marcou, sem sombra de dúvida, foi o ascensão do nazismo e o holocausto. Cresci assistindo filmes e lendo obras que explicavam aquilo que até hoje não conseguiram explicar o porquê de tudo aqui. Portanto, ao enfrentar as incertezas que nosso futuro nos reserva, desejo que tenhamos a mesma postura crítica e constestadora das pessoas que lutaram contra o poder da tirania nazista
Há alguns dias, li matéria jornalística que falava sobre o conflito entre as Coreias (Sul/Norte), nesta matéria abordou-se a morte de milhares de jovens norte-coreanos ainda em fase escolar que se alistaram no combate pela defesa territorial. A jassina foi tão grande que os corpos se quer foram enterrados, antes se misturaram com a própria terra e sangue sendo enterrados pela natureza na decomposição com o passar dos anos. A atividade de hoje me fez lembrar este fato, pois a crueldade humana chega a tal ponto em que tiram jovens de seus lares para lutar em favor de um "falso patriotismo". Hoje, como dizia a matéria, esses jovens não tem nome, não são lembrados e a incerteza tratada neste tema revela um futuro que ainda se preocupa com divisão de terras e etnia e se esquece de serem realmente humanos. Lembro-me de um filósofo contemporâneo que criticou o pensamento defendido por séculos, Focault contrariou a filosofia clássica e principalmente Platão ao dizer que o ser humano jamais poderia ser racional, já que não há racionalidade quando as atitudes do ser humano se voltam contra eles próprios em forma de morte, guerra e dor.
RAQUEL MOURA
RGM: 5851
6º LETRAS
Muito interessante sua perspectiva, Raquel.
Pelo ponto de vista de Morin, nos assusta pensar que nossa vida está condenada a alto que não podemos controlar, ou melhor, em um futuro incerto, cheio de surpresas, aguardando para surpreender a todos nós.
Franciele Nery Peixoto da Silva
RGM:5684
Um dos fatos históricos mais importante foi a corrida espacial durante a Guerra Fria, na qual americanos e soviéticos disputavam, além de outros impasses, como uma possível guerra nuclear, a viagem à Lua e outras excursões.
A Guerra Fria por si só já foi um grande impacto no mundo, trouxe muitas incertezas e "medos" que estendem até hoje. O final da Guerra Fria, uniu as duas Alemanhas novamente, com a queda do Muro de Berlim, que também foi um dos momentos mais impactantes da história.
Outro fato marcante foram os atentados de 11/09/2001, que vitimou mais de 3 mil pessoas. A partir desse evento, os Estados Unidos começou a Guerra no Iraque (os Estados Unidos estão em todas as guerras...) e também começou a era do "terror", fazendo com que todo cidadão americano tivesse medo até do carteiro.
Creio que um fato histórico que marcou a humanidade com certeza foi a crucificação de Jesus Cristo, visto que, foram os próprios judeus que o entregaram para ser crucificado preferindo um ladrão (Barrabás), e com isto sofrem até os dias atuais com várias guerras. Hoje mesmo estão a mercê da própria sorte sem ter pra onde fugir ou se esconder com a guerra que estão vivendo, o pior é que crianças quando não morrem acabam perdendo a família inteira,ou seja, estão pagando por algo que elas nem sabem direito o porque de tanta guerra. Mas fica a pergunta,onde tudo isso vai chegar,ou quando vai acabar?
Paula RGM: 5915
Fran.
A Guerra Fria foi impactante realmente, e se formos pensar na queda do muro de Berlim - enterrando definitivamente aqueles tempos negros - é definitivamente algo que nos faz pensar nas incertezas... Os atentados às torres gêmeas foram assombrosos, isso porque presenciamos pela tv, em tempo real.
Rayssa de Sousa Evangelista RGM 6131
Dentre tantos fatos históricos que marcaram a história do mundo, o fato que me veio a mente foi a Revolução Industrial. Esta foi um pensamento de melhorias, avanços tecnológicos, cada vez mais pessoas indo para as cidades,porém, para concretizar a verdade sobre as incertezas, o que era para ser algo espetacular, deixou muitos trabalhadores desempregados, as pessoas que foram para as cidades viviam em situações precárias. Ou seja, não é possível prever com certeza o nosso futuro e muito menos o da humanidade. Elaboramos hipóteses, probabilidades, mas nunca é algo certo de se acontecer. Este fato é um exemplo disso.
Morin elenca a problemática das "incertezas", derrubando o significado da palavra "futuro". Assim, reformulando, teríamos PASSADO, PRESENTE E INCERTEZAS. Em nossa vida, aprendemos desde cedo a lidar com o novo. Um belo exemplo é quando nascemos, saímos de um estado acomodado e seguro para um mundo totalmente diferente. É nosso primeiro desafio. Nascer.
Poderia não ter tido guerra se Hitler não tivesse assumido o governo alemão, com isso, os EUA não teriam viajado à lua (o foguete foi tecnologia da Guerra Fria), os satélites não existiriam (pelo menos por um bom tempo), as roupas anti-chamas dos pilotos de formula 1 poderiam demorar décadas para serem inventadas... Enfim, isso prova que tudo é incerto.
Acredito que não podemos temer nossas escolhas, devemos encarar o novo com muita coragem, assim como fez a Alemanha em 1933 e 1990 (queda do Muro de Berlim) e assim como o mundo viveu a 2° Guerra Mundial, encarando a incerteza do dia seguinte.
Paula.
Muito legal o fato escolhido, realmente foi o fato que mais marcou, porque vivemos hoje influenciados pelo Cristianismo, tanto nos conceitos morais como éticos. O Cristianismo foi o grande marco da humanidade, inventou teorias e mudou culturas
Discutindo o assunto "tecnologia e catástrofes", muito me espanta o caso do avião Boenig 777 da Malaysia Airline, que sumiu nos mares do Oceano Índico, no primeiro semestre de 2014 deixando a família de mais de 200 pessoas apenas com a nota do Governo da Malásia de que "não houve sobreviventes do voo". Realmente é um paradigma, em meio a tantos recursos tecnológicos que vivenciamos hoje é difícil deparar-nos com uma justificativa humana de que a tecnologia atual não foi suficiente para o direito de familiares e amigos velarem o corpo de seus entes queridos.
Edilene Souza 5800
Fiquei triste agora em ver como eu e a Fran somos parecidas!
A única coisa que consegui pensar foi no atentado terrorista de 11 de setembro e ela comentou antes de mim...
#chateada
Mayara Lemes 5626 6º Letras
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